Ela irrita de me fazer babar quando afirma, aborrecida, que eu "já sabia" de algo que, sem dúvidas, só existia em sua cabeça! Coisas como compromissos meio avisados ou comunicados displicentemente com semanas de antecedência. Mais ou menos assim:
-- Dia 9 do mês que vem será a festa da filha da amiga da vizinha.
E fica por isso mesmo, sem nenhuma anotação em agenda ou lembretes periódicos. Pelo costume, só vou ser alertado na véspera, se tiver sorte ou, não raro, no dia exato, para meu desespero.
Absurdos maiores, coleciono de perder as contas. Ela avisa algo, com a mesma falta de cuidados, e espera que eu deduza o que vem depois. Desse jeito:
-- Na próxima terça terei aquela consulta. Ah! Tirarei um dia de folga na semana que vem!
Então, espera, sinceramente, que eu adivinhe, com um raciocínio que só existe em sua cachola, que o tal dia será na segunda-feira anterior ao compromisso!
Mas tem coisa pior: preciso lidar com as evidências de que "os outros" sabem muito melhor do que eu, com riquezas de detalhes, as minúcias daquilo que me foi sonegado. Mais: aturar a "raivinha" ofendida que a faz atirar despudoradamente em minha cara que "você já sabia de tudo porque o avisei".
Desonesto!
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