segunda-feira, 16 de abril de 2012

Pegadinhas

Se eu fosse apenas um espectador e não carregasse as marcas sofridas dessa convivência improvável, talvez me aconselhasse a desistir de tudo. Não é o caso. Ninguém se preocupa em entender o que mora dentro de mim para além da dor. Eu amo a minha família, então a amo, também. Contudo, sou "convidado", diariamente, a carregar os ônus dessa realidade que o mesmo espectador repudiaria: a inevitabilidade.

É inevitável que amando tanto eu seja compelido a questionar sempre o desdém que sofro.

É inevitável que sentindo tanta falta deles eu me sufoque diante das manifestações de apatia e hostilidade.

É inevitável que provoque as situações mais odiosas justamente para tentar mudá-las, por paradoxo, como se houvesse mágica poderosa o suficiente para competir com as forças que me oprimem.

Assim, descrevo a imaturidade: conheço a regra sagrada que, se observada, converter-me-ia em um santo: não serão as palavras raivosas que me guiarão para a paz.

Então, no cume da minha meninice, verbalizo a "pegadinha" que me revela como um aprendiz, um estagiário: seria prova de amor maior simplesmente esquecer?

Grito de desespero

Minha última manifestação dessa noite foi assim:

Com você nem adianta argumentar! Eu erro imensamente toda vez que tento. Tomara que suas consciências continuem tranquilas por fazerem desse casamento a merda que ele é!


Então a chamei de mentirosa.

O ridículo da situação!

Ela:

"Como pode pensar que eu iria fazer qualquer tipo de maldade com o XXXX? Foi ele quem ouviu você gritando no telefone e perguntou agora se não tem mãe nem pai!!!

É, eu gritei, sim, depois que ela me escreveu um absurdo desse jeito:

"O XXXXX acha que pode nos manter juntos, falei que não. E que está em dúvida sobre com quem quer ficar".

Detalhe: ela INVENTOU essa situação e o fez antes de eu ficar PUTO da vida justamente por causa disso.

É o que eu vivo dizendo: faz as piores coisas, depois me culpa pela reação que tenho!

domingo, 15 de abril de 2012

Culpado por reagir

Faz de mim um imbecil. Deixa-me sozinho. Não me dá notícias de nada. Quando fico bravo, a culpa é minha.

Tadinha! Tão sofrida!

Incompreensível!

Como sempre, descobri sozinho que seria alvo de sabotagem: ninguém me contou que eu "incorporaria" a "segunda opção, mais uma vez". Depois de um fim de semana inteiro sem ter notícias, quando, por fim, decidi desligar todos os telefones, no último suspiro do domingo, alguém se lembrou de mim. De uma forma perversa, por sinal, tentando atribuir a mim, mais uma vez, a responsabilidade por todos os equívocos.

Eu sou um idiota, porque isso me afeta profundamente! Já deveria estar acostumado a essa lógica estupidamente maldosa!

Tem coisa pior: ela está colocando "minhocas" na cabeça de um guri de oito anos! Está fazendo ele acreditar em coisas que não existem! Que minha raiva por ser tratado assim é porque eu quero me separar e que sou eu o culpado dessa tristeza toda!

Desonesto, maldoso e cruel!

Portas fechadas

Desde ontem passo torpedos para ela. Não recebi resposta. Entendo. Qualquer resposta para aqueles questionamentos seria coisa muito difícil. Bobagens como: "por que eu estou sozinho?" não se deve perguntar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Lost

Tenho um irmão que não aproveitou a educação que todos nós tivemos em comum. Abandonou a escola, passou a viver uma vida estranha, culpando a todos, menos a si mesmo. Casou-se, teve filhos e pareceu, enfim, estabilizado, mas fez tanta besteira que a esposa o largou. Também não soube valorizar os muitos empregos que teve, em alguns ganhando, até, uma grana legal. Na rua da amargura, deu-se o direito de infernizar a vida da minha mãe. Por causa dele, principalmente, a família está insistindo em vender a casa em que moramos a vida quase toda, ceder a parte do que "cabe" a esse irmão e a uma outra, falecida -- há herdeiros -- e, com os três quintos restantes, comprar um apartamento pequeno para minha mãe, onde o dinheiro der, ou seja: distante.

Outro dia, esse irmão me ligou insistindo para eu levar a escritura da casa para agilizar o processo. Nesse caso particular, sou voz dissonante. Ao mesmo tempo em que é grande a mágoa por ver mamãe passar por isso, também me custa, muito, acreditar que um fracassado moral -- irmão, ainda por cima! -- seja o estopim da desestruturação de uma  história tão longa. Amargura-me ainda mais saber que o dinheiro que ele vai pegar se converterá em "nadas" retumbantes. Em quais portas acham que ele vai bater, depois?

Raciocínio mesquinho

A mesma lógica comezinha que tira um professor da sala de aula para usufruir de "férias extras" regadas a cervejas em piquetes é a que estimula policiais inescrupulosos a deixarem de cumprir suas obrigações. Na mesma esteira ponho em fila os profissionais da saúde e os bombeiros militares. Todos aqueles cuja obrigação diária é garantir o bem estar de pessoas e a ela se furtam são bandidos sociais.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ódio mortal

Ela irrita de me fazer babar quando afirma, aborrecida, que eu "já sabia" de algo que, sem dúvidas, só existia em sua cabeça! Coisas como compromissos meio avisados ou comunicados displicentemente com semanas de antecedência. Mais ou menos assim:

-- Dia 9 do mês que vem será a festa da filha da amiga da vizinha.

E fica por isso mesmo, sem nenhuma anotação em agenda ou lembretes periódicos. Pelo costume, só vou ser alertado na véspera, se tiver sorte ou, não raro, no dia exato, para meu desespero.

Absurdos maiores, coleciono de perder as contas. Ela avisa algo, com a mesma falta de cuidados, e espera que eu deduza o que vem depois. Desse jeito:

-- Na próxima terça terei aquela consulta. Ah! Tirarei um dia de folga na semana que vem!

Então, espera, sinceramente, que eu adivinhe, com um raciocínio que só existe em sua cachola, que o tal dia será na segunda-feira anterior ao compromisso!

Mas tem coisa pior: preciso lidar com as evidências de que "os outros" sabem muito melhor do que eu, com riquezas de detalhes, as minúcias daquilo que me foi sonegado. Mais: aturar a "raivinha" ofendida que a faz atirar despudoradamente em minha cara que "você já sabia de tudo porque o avisei".

Desonesto!

Às vezes...

... sinto-me cansado para me levantar e voltar para a realidade. O sonho me alimenta e eu sou feliz na Matrix.

Fase

Estou numa puta época de reclamações, mais do que o normal. Para dar uma ideia, só a fase "normal" é suficiente para me transformar em um ermitão -- coisa que eu praticamente sou. Resumindo: quero ver o capeta, porque com ele eu me viro, mas quero conversar com ninguém que ponha ovos em meu caminho e me impeça de quebrá-los por causa de melindres ou frescurites hipócritas ou burras.

Cego

Ou eu estou aqui, com a bunda sentada na mesma cadeira de sempre, no trabalho, ou em casa. Qualquer mudança no itinerário é imediatamente comunicada. Eu, normalmente, pouco sei sobre onde eles estão, o que estão fazendo, seus planos etc.

Por outro lado, terceiros têm acesso livre às agendas que escapam de mim.
Tenho pavor do som dos cifrões vermelhos. Controlá-los é a pior das minhas habilidades, mas, a despeito do sofrimento que me causa e da responsabilidade ser tecnicamente compartilhada, dela me incumbo solitariamente.

"Sindicato petista dos professores já ameaça punir as crianças para tentar ajudar Haddad"

É exatamente o que eu estava comentando: punir as crianças! Não importa o motivo dessas paralisações, o dedo do meio é mostrado para os indefesos por quem deveria defendê-las. Nesse caso, especialmente, a justificativa é torpe!
Até outro dia eu tinha uma presença constante no Facebook, mais para alimentar a aparência de ser um ente social do que para saciar, efetivamente, minha necessidade de relacionamentos. Essa aparência que me fazia menos estranho aos meus próprios olhos. Que me enganava para espantar uma solidão real e insuportável, diante do fato de que não trouxe para o meu presente qualquer dos conhecidos reais do passado.

Meu perfil na rede social ainda está lá, morimbundo. Neste momento, é impossível transferir para o conhecimento público aquilo que só posso dizer aqui, protegido pelo anonimato, longe dos olhos dos algozes da minha vida. Tampouco sinto-me tentado a forçar, lá, que os meus poucos contatos deixem o conforto das suas fachadas para ocuparam-se dos meus lamentos doídos.
Leio a pergunta: você sabia que o mouse pode ter três vezes mais germes que um vaso sanitário? Leio e rio internamente. Tanto se preocupa com a infestação material -- que é mal real, não discuto --, porém não conheço quem se importe, tanto, com as doenças de um coração metafórico.
Venho sentindo uma dor constante em lugar incerto e não sabido. Quero dizer, ela existe, mas não sei identificar onde está. É interna, começa a preocupar. As outras dores, aquelas que derramam da alma, essas as controlo melhor.
Um sono impressioante, de que não me livro durante o tempo certo. Ponho a cabeça sobre a mesa do trabalho, com o testemunho dos colegas, e, na inconveniência do momento e do desconforto, deixo meu cérebro fluir para a inconsciência.

Tão cedo!

Divagando 2

As salas de aula, por sinal, estão cheias de "professores" que sequer sabem escrever! Quando falam ou escrevem, mal conseguem transmitir os próprios pensamentos. Que direito tem essas pessoas de macular o futuro das crianças para atingirem os seus objetivos?

Sinto tanta pena dos alunos de hoje e tanta repulsa pelo egocentrismo e pela iniquidade daqueles que deveriam protegê-los mas não o fazem!

Divagando

"PMs usam rede social para comemorar a sensação de insegurança no DF"

Profisisonais assim -- como também os professores em greve -- são igualmente charlatões, inescrupulosos, desonestos, ordinários.

Preciso dormir...

... Contudo, um peso enorme esmaga meus pulmões, então mal consigo respirar. Os pensamentos transbordam das ligações sinápticas, materializam-se em blocos de concreto gigantescos que me prendem sobre o colchão, machucando e sufocando. Às vezes, em desespero, gostaria que levassem de vez minha alma para doer menos.

Mea culpa

Por outro lado, se reclamo tanto dos equívocos alheios, quais os que tenho que admitir em mim?

Sou arrogante, preonceituoso e covarde: uso as piores armas que tenho -- as palavras -- para enfrentar quem mal pode manipulá-las na argumentação. Que poderia esperar?

Talvez eu tivesse a intenção de que os anos a ajudassem a perceber -- senão pela razão, mas pela insistência -- que algumas coisas me ferem, genuinamente, e que, se os mesmos anos não as fizeram cessar, é porque alguma verdade e justiça há no meu comportamento.

Equívocos

Sou sempre eu quem tem que retroceder depois de uma sessão de desaforos. Ela não está preparada para me entender -- nem quer! Acha que admitir equívocos é "dar o braço a torcer". Ser fraca. Não, ela não tem usado a razão para nos ajudar. Pelo contrário, acredito que se vale de instruções de um terapeuta charlatão, que nada sabe sobre o que acontece, para apenas gritar por gritar. Sem escrúpulos. Sem maturidade. Sem nexos.

Eu, que apesar da boa vontade tenho errado pela elevação dos tons, quando me arrependo, "ratifico" o canalha que sou. Ratifico, pelo menos, a minha fraqueza, a minha desesperança, a minha impotência diante de argumentos vazios e ininteligentes.

É meia noite!

Sinto falta dos meus.

domingo, 8 de abril de 2012

Vejo e não vejo

Páscoa

O chocolate que ela me deu foi um Serenata de Amor que só agora, depois da frieza com que o recebi, imaginei que pudesse significar alguma coisa mais. Talvez. Eu mesmo dou pouca importância para os clichês temporais, principalmente para os que desvirtuam simbolismos muito mais profundos. Contudo, diante da turbulência dos últimos tempos, esse ovo tinha que representar alguma outra coisa.

Liguei para agradecer o presente. Não me aprofundei, porém, na tristeza que me acudia quando o recebi.

Sozinho

Sozinho e amedrontado.

Desistência?

Às vezes, eu tenho uma vontade enorme de fugir, mas minha índole não permite. Não sou imune ao sentimento de fracasso que me acometeria se desistisse de lutar.

Cínicos...

... riem despreocupados, comemorando a aversão popular contra verdades doídas.

É fácil entender...

... por que ela não me defende das fofocas. Ela é uma dos que falam de mim pelas costas.

Esperança


Assumir a solidão

Não posso fazer isso porque não a quero, a solidão. Quero estar cercado de gentes e poder discutir com elas as nossas idiotices, sem mágoas, em favor de um caminho que nos torne sábios.

Os outros

Ouço a felicidade alheia ou aquilo que parece com a felicidade: brincadeiras, risos, cumplicidade. São os outros!

Meus filhos...

... estão onde querem ou onde os outros querem. Meus filhos!

"Penso, logo existo"

Não onde a obrigação me põe. Lá, se penso, melhor seria inexistir.

Amordaçado

Alguém que deveria ser minha cúmplice só faz o que quer. É tão boa nisso e se ocupa tanto em fazer só isso que lhe falta tempo e forças para me incluir em sua vida. Qualquer menção a essa realidade é interpretada como uma afronta injusta demais para ser considerada. Qualquer tentativa de quebrar essa regra me transforma em um criminoso.

Introdução

Se falo, estou errado. Se me calo, estou errado. Se estou triste, estou errado. Se estou feliz, parece que o mal é bom.