Tenho um irmão que não aproveitou a educação que todos nós tivemos em comum. Abandonou a escola, passou a viver uma vida estranha, culpando a todos, menos a si mesmo. Casou-se, teve filhos e pareceu, enfim, estabilizado, mas fez tanta besteira que a esposa o largou. Também não soube valorizar os muitos empregos que teve, em alguns ganhando, até, uma grana legal. Na rua da amargura, deu-se o direito de infernizar a vida da minha mãe. Por causa dele, principalmente, a família está insistindo em vender a casa em que moramos a vida quase toda, ceder a parte do que "cabe" a esse irmão e a uma outra, falecida -- há herdeiros -- e, com os três quintos restantes, comprar um apartamento pequeno para minha mãe, onde o dinheiro der, ou seja: distante.
Outro dia, esse irmão me ligou insistindo para eu levar a escritura da casa para agilizar o processo. Nesse caso particular, sou voz dissonante. Ao mesmo tempo em que é grande a mágoa por ver mamãe passar por isso, também me custa, muito, acreditar que um fracassado moral -- irmão, ainda por cima! -- seja o estopim da desestruturação de uma história tão longa. Amargura-me ainda mais saber que o dinheiro que ele vai pegar se converterá em "nadas" retumbantes. Em quais portas acham que ele vai bater, depois?
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